Áudios revelam esquema de propina para obtenção ilegal de CNH no Piauí; entenda como esquema funcionava
Áudios exclusivos obtidos pela TV Cidade Verde revelaram detalhes do esquema de venda ilegal de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Piauí, alvo da operação realizada pela Superintendência de Operações Integradas (SOI) na manhã desta quinta-feira (28). Em uma das gravações, um dos envolvidos pede R$ 3 mil a uma candidata e oferece o serviço por um valor inferior ao cobrado por outros fraudadores.
“Bota R$ 3 mil, eu faço até R$ 3 mil pra ti, e tu bota R$ 3,5 mil para ela. Geralmente é R$ 4 mil que o cara cobra, mas dá para eu desenrolar nesse valor aí”, diz o investigado.
Ele ainda menciona que possui oito vagas disponíveis para interessados.
“Se tu souber de alguém que queira tirar [a CNH] e for de confiança, tiver com a bala na agulha – a bala na agulha é os documentos e a entrada – eu fecho as vagas. Estou com oito vagas para fechar, arrocha aí e vê o que tu consegue”, acrescentou.
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Como os candidatos eram aliciados
De acordo com o delegado Filipe Bonavides, coordenador geral da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), as abordagens aconteciam de diversas formas, incluindo mensagens de texto, conversas pelo WhatsApp e encontros em estabelecimentos próximos ao Detran. Centros de Formação de Condutores (CFCs) também eram usados como pontos de aliciamento.
“As abordagens aconteciam por mensagens de texto, WhatsApp, em um estabelecimento próximo ao Detran e até dentro de CFCs, onde determinados instrutores iniciavam o aliciamento. Essa variedade de abordagens facilitava o desenvolvimento da atividade criminosa”, explicou Bonavides.
Os valores cobrados variavam entre R$ 400 e mais de R$ 1.000, dependendo da categoria do exame prático e do histórico de tentativas do candidato.
“Os valores variavam muito, desde R$ 400 até mais de R$ 1.000, dependendo da categoria e de quantas vezes a pessoa já havia tentado, pois havia casos de pessoas que tentaram várias vezes e, mesmo assim, não conseguiram. Reitera-se que esses valores eram cobrados por pessoa, e eram realizados vários exames por dia, o que dá uma ideia do faturamento desses examinadores e despachantes”, completou o delegado.

Irregularidades durante os exames
No dia do exame prático, erros que deveriam reprovar os candidatos eram ignorados pelos examinadores envolvidos na corrupção. Além disso, a investigação revelou que alguns candidatos tinham marcas específicas nas mãos para serem reconhecidos e aprovados mediante pagamento de propina.
“Havia um conluio entre instrutores e examinadores, que ignoravam erros graves para que os candidatos obtivessem a CNH de forma irregular, mediante pagamento de propina”, afirmou o delegado Yan Brayner, gerente de Inteligência da Polícia Civil.
Perfil dos envolvidos
Segundo Bonavides, servidoras experientes do Detran-PI eram as principais líderes do esquema.
“Algumas das lideranças eram mulheres, servidoras de longa data no Detran. Muitos dos alvos têm idade mais avançada e estão envolvidos nessa atividade há anos. Além disso, houve o sequestro de veículos devido à incompatibilidade entre a renda declarada e o patrimônio acumulado”, destacou o delegado.
Negociações realizadas em bar

Um bar próximo ao prédio do Detran, na zona Sul de Teresina, servia como ponto de encontro entre instrutores e servidores para definir quais candidatos seriam aprovados de forma irregular. Um casal próximo ao proprietário do estabelecimento foi preso, e o local teve suas atividades suspensas.
“Os criminosos usavam um bar próximo ao Detran para organizar o esquema e selecionar os alunos que seriam aprovados, mesmo sem preencher os requisitos necessários para a aprovação na prova prática”, afirmou o delegado Yan Brayner.
Novas investigações no estado
A Polícia Civil anunciou que novas investigações serão iniciadas para combater o esquema em todo o estado.
“Sabemos que essa prática ocorre tanto na capital quanto no interior. Vamos aprofundar as investigações para alcançar toda a hierarquia dessa organização criminosa e acabar com essa prática ilegal. Ressaltamos a postura proativa do Detran, cuja diretoria nos procurou para denunciar o esquema e solicitar providências”, finalizou o delegado Bonavides.
Fonte: Rebeca Lima/Cidade Verde
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