Ex-prefeito Dr. Pessoa presta depoimento sobre cancelamento de 2.215 multas na Strans
O ex-superintendente da Strans e sobrinho de Dr. Pessoa, Bruno Pessoa, é um dos investigados pela fraude.
O ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa (PRD), prestou depoimento no Departamento de Combate à Corrupção (Deccor), sobre o cancelamento ilegal de 2.215 multas, que causou um prejuízo superior a R$ 503 mil aos cofres do município.
Ao Portal ClubeNews, o delegado Ferdinando Martins, do Deccor, confirmou que Dr. Pessoa foi ouvido ainda na semana passada. Ele estava acompanhado de um advogado. O teor do depoimento do ex-gestor não pode ser revelado para não atrapalhar as investigações do caso.
Conforme a Polícia Civil, as multas foram excluídas, entre fevereiro e junho de 2024, do sistema da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Teresina (Strans). A fraude também resultou na remoção de 12.393 pontos das carteiras de habilitação dos condutores favorecidos.
Outros investigados são o ex-gerente da Strans, atualmente vice-presidente da Federação de Futebol do Piauí (FFP), Daniel Araújo, e o servidor Lucas Rocha Lima.

Segundo o delegado Ferdinando Martins, Lucas utilizava seu próprio login para apagar multas no sistema do órgão. Lucas atuava na Gerência de Gestão de Trânsito (GGT), setor responsável pelo controle de multas da Strans.
“Quando o Daniel saiu, no mesmo dia, ele [Lucas] foi colocado na função. O Daniel foi para outra gerência, tudo com o consentimento do Bruno, que é o sobrinho do Dr. Pessoa e fazia essa gestão. Nós temos provas que o Lucas recebia ordens diretamente do gabinete de secretários e o elo dele era o Bruno e o Daniel”, explicou o delegado.
Durante a Operação Reset, a Justiça determinou que os investigados usassem tornozeleira eletrônica. No entanto, apenas Bruno Pessoa passou a ser monitorado, já que Daniel Araújo conseguiu um habeas corpus e Lucas Rocha Lima foi solto após contribuir com a investigação.
Os investigados poderão responder por exclusão indevida de dados em sistema público, cuja pena pode chegar a 12 anos de reclusão, além de associação criminosa e outros crimes correlatos.
Catarina Costa/Portal ClubeNews
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