Temor no Planalto: CPI do Crime Organizado preocupa mais o governo Lula do que a do INSS
Antes mesmo de ser instalada, a CPI do Crime Organizado, articulada no Senado, já é vista dentro do Palácio do Planalto como uma ameaça mais significativa ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a já existente CPMI do INSS. A avaliação interna é de que a nova comissão pode se tornar um potente instrumento político da oposição, especialmente em um momento de forte desgaste na área de segurança pública.
Segundo interlocutores próximos ao presidente, a CPI do INSS, embora tenha causado ruído, foi parcialmente neutralizada por ações antecipadas do governo, como o ressarcimento de vítimas de fraudes antes da instalação da comissão. Com isso, o Planalto acredita que os danos políticos foram controlados.
Já no caso da CPI do Crime Organizado, o temor é maior. Ministros e assessores avaliam que o tema atinge diretamente o sentimento da população, sobretudo após os episódios de violência no Rio de Janeiro e a escalada da atuação de facções criminosas em diversos estados. Internamente, há consenso de que segurança pública é um flanco mais sensível para o governo do que questões previdenciárias.
A leitura no Planalto é de que a oposição, com base nos recentes embates envolvendo a atuação da Polícia Federal e as críticas à ausência do governo federal em operações estaduais, poderá explorar politicamente a comissão para vincular o Executivo à omissão no combate ao narcotráfico e à criminalidade organizada.
Diante desse cenário, o governo já iniciou uma mobilização para acompanhar de perto os desdobramentos da CPI e deve escalar seus principais líderes no Congresso para disputar a relatoria e a presidência da comissão, com o objetivo de reduzir a ofensiva da oposição.
A instalação da CPI ainda não tem data definida, mas o diagnóstico no Planalto é claro: a pauta da segurança pública ganhou centralidade no debate político nacional, e o governo quer ter o controle da narrativa, como sempre.
Fonte: Hora Brasília

