Política

Lula veta dosimetria em ato esvaziado dos três anos do 8/1

Por Guilherme Grandi/ GAZETA O POVO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente, nesta quinta (8), o projeto de lei que permitiria uma revisão das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O chamado “PL da Dosimetria” foi aprovado pelo Congresso no final do ano passado a contragosto do governo.

O veto foi feito durante um ato alusivo aos três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no Palácio do Planalto, e esvaziado pela falta dos dois presidentes do Congresso, Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado. A falta já era esperada por conta da crise institucional que vivem com o governo desde meados do segundo semestre de 2025.

Lula não discursou sobre o veto e deixou o detalhamento a cargo do locutor da cerimônia que frisou o teor “integral” da assinatura. Um pouco antes, ele enalteceu seu mandato, criticou os envolvidos nos atos de 8/1, elogiou o Poder Judiciário pela condução do processo da suposta tentativa de golpe de Estado e frisou que todos os condenados “tiveram amplo direito de defesa, e foram julgados com transparência e imparcialidade”.

“E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou Power Points fajutos”, disparou em referência ao conjunto probatório apresentado contra ele quando foi condenado por envolvimento no esquema descoberto pela Operação Lava Jato.

Pouco depois, Lula desceu a rampa do Palácio do Planalto para cumprimentar apoiadores reunidos na Praça dos Três Poderes.

Além de Motta e Alcolumbre, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, também não compareceu à cerimônia. O edifício-sede da Corte foi o mais vandalizado nos atos de 8/1 de 2023.

Pouco antes do veto, a cerimônia teve a exibição de um vídeo de autoria da equipe de comunicação do Palácio do Planalto com imagens da depredação e uma locução de Lula dizendo que “nós queremos que a sociedade não esqueça nunca que, um dia nesse país, teve alguém que não soube perder eleição e resolveu, pela forma mais cretina, continuar governando”.

O veto à dosimetria durante o ato dos três anos do 8/1 já era esperado e havia sido sinalizado no final do ano passado pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e confirmado pelo próprio presidente Lula durante uma entrevista coletiva em dezembro.

“Com todo o respeito que eu tenho ao Congresso Nacional, a hora que chegar na minha mesa, eu vetarei. Isso não é segredo pra ninguém”, afirmou.

Na época, Lula ainda pontuou que o Congresso “tem o direito de fazer as coisas”, mas que ele “tem o direito de vetar”, e que “eles têm o direito de derrubar o meu veto”. “É assim que é o jogo”, completou.

 


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