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Justiça mantém preso acusado de matar o pai a facadas na Zona Leste de Teresina

A Justiça do Piauí negou o pedido da defesa para revogar a prisão preventiva de Vitor Gomes de Carvalho, acusado de matar o próprio pai, Sebastião da Cruz Oliveira Gomes, a facadas dentro da residência da família, no bairro Santa Bárbara, zona Leste de Teresina. A decisão foi tomada durante a audiência de instrução e julgamento realizada na sexta-feira (17), quando também foi encerrada a fase de produção de provas do processo.

Durante a audiência, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. Com o encerramento da instrução, o juiz concedeu prazo sucessivo de cinco dias para que Ministério Público e defesa apresentem as alegações finais. Somente após essa etapa será decidido se o acusado será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Defesa pediu liberdade

Ao final da audiência, a defesa requereu a revogação da prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados estavam a primariedade do acusado, residência fixa, vínculo de trabalho e estudo, além da alegação de excesso de prazo na tramitação do processo.

O Ministério Público se manifestou contra o pedido, sustentando que permanecem os fundamentos que justificaram a prisão preventiva, especialmente a necessidade de garantia da ordem pública.

Na decisão, o magistrado rejeitou os argumentos da defesa. Segundo ele, não há excesso de prazo, já que a instrução foi concluída na própria audiência e o processo aguarda apenas a apresentação dos memoriais. O juiz também entendeu que permanecem os requisitos para manutenção da prisão preventiva, destacando a gravidade do crime e a violência empregada na ação.

Relembre o caso

O crime ocorreu na noite do dia 26 de janeiro, no bairro Santa Bárbara, zona Leste de Teresina. Sebastião da Cruz Oliveira Gomes foi morto a facadas dentro da própria casa, na cozinha da residência da família.

O suspeito fugiu logo após o homicídio levando a motocicleta da vítima.

A investigação aponta que o crime foi motivado por uma discussão familiar. Segundo a Polícia Militar, as brigas eram constantes e, de acordo com familiares, o filho frequentemente pedia dinheiro ao pai para comprar drogas.

Perícia realizada no local constatou que a vítima sofreu golpes profundos no abdômen e nas costas, além de várias lesões no rosto.

Buscas e prisão

Após o crime, o suspeito foi localizado pela Polícia Militar no dia seguinte, quando trafegava em uma motocicleta. Ele desobedeceu à ordem de parada, caiu durante a fuga na BR-343 e escapou a pé para uma região de mata, onde permaneceu escondido.

Equipes da Força Tática, Rone e inteligência da PM realizaram buscas na região, especialmente em áreas onde ele tinha conhecimento por já ter trabalhado.

Dias depois, ele se apresentou em um posto da Polícia Rodoviária Federal, alegando fome e sede após passar dias escondido. No momento da entrega, estava sem roupas, estratégia que, segundo a polícia, pode ter sido usada para despistar cães farejadores.

Confessou ter furado os olhos do pai
Em depoimento ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o acusado confessou o crime e descreveu a sequência de agressões.

Segundo o relato, ele iniciou o ataque com uma faca durante uma discussão com o pai. Mesmo após a vítima cair, continuou desferindo golpes, principalmente na região do tórax e do rosto.

O suspeito admitiu ainda que furou os olhos do pai de forma intencional. Após a faca quebrar, ele afirmou que utilizou uma pedra para atingir a cabeça da vítima.

De acordo com a polícia, a versão de legítima defesa apresentada pelo investigado não se sustenta diante dos elementos já reunidos, incluindo depoimentos de testemunhas que relatam conflitos frequentes motivados pelo uso de drogas.

Familiares e vizinhos já foram ouvidos, e os depoimentos integram o processo que será analisado durante a audiência marcada para julho.

 

Por Izabella Lima/Cidade Verde


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