Trump derruba tarifaço de 40% sobre produtos brasileiros; Entenda
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (20) a retirada imediata das tarifas de 40% sobre carne, café e uma série de produtos agrícolas brasileiros. A decisão é retroativa e vale para tudo o que entrou em território americano desde 13 de novembro.
É o segundo grande recuo de Trump em seis dias. Na semana passada, o republicano já havia derrubado as tarifas recíprocas de 10% aplicadas a todos os parceiros comerciais. Mas, no caso do Brasil, havia um agravante: o tarifaço de 50% — 40% + 10% — imposto após Trump criticar abertamente o julgamento de Jair Bolsonaro pelo STF e as ações de Alexandre de Moraes contra as big techs.
Agora, oficialmente, o governo americano diz que a decisão ocorreu após uma conversa telefônica com Lula, em 6 de outubro. Mas qualquer analista minimamente sério sabe o que realmente pesou: a inflação de alimentos nos EUA explodiu, especialmente os preços da carne, do café e de frutas tropicais — exatamente os produtos brasileiros afetados pelos impostos.
Trump cedeu à pressão do próprio eleitorado, não à diplomacia de Lula.
Os números falam por si:
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O preço dos bifes subiu 17% no último ano.
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O café aumentou mais de 40%, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho.
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Carne moída e banana subiram 11,5% e 8,6%, respectivamente.
A imprensa americana é explícita: a Casa Branca recuou porque os consumidores estavam pagando a conta.
“A declaração cita ‘progresso nas negociações’, mas a inflação nos EUA certamente teve papel importante”, afirmou Brian Winter, editor da Americas Quarterly.
Especialistas também têm sido diretos: problemas climáticos no Brasil e no Sudeste Asiático reduziram estoques e elevaram preços. Trump não podia bancar tarifas que elevassem ainda mais o custo da alimentação.
Embora a Casa Branca mencione “negociações com Lula”, o fato é que:
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Trump criou o problema para protestar contra o STF brasileiro, não contra o agronegócio.
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A retirada das tarifas não reverte a péssima imagem do Brasil sob Lula, especialmente no setor agrícola.
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Os EUA seguem desconfiados da política econômica e da política externa brasileira, sobretudo da aproximação de Lula com regimes como Venezuela, Cuba e Irã.
Trump retirou tarifas porque a carne ficou cara para o americano médio — e não porque Lula articulou alguma vitória diplomática.
A retirada do tarifaço libera diversas categorias de produtos brasileiros, incluindo:
Agrícolas
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Carne bovina de alta qualidade
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Café
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Cacau
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Manga, abacaxi, abacate, laranja
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Suco de laranja, limão e abacaxi
Insumos
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Fertilizantes
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Ureia
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Sulfato de amônio
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Nitratos
Frutas tropicais
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Castanha-do-pará
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Castanha de caju
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Nozes e macadâmia
Com a tarifa, o agronegócio brasileiro acumulava prejuízo e insegurança. Agora, o setor respira um pouco — apesar, não por causa da política externa ideológica do governo Lula.
O governo brasileiro tenta capitalizar a retirada das tarifas como se fosse resultado de “diálogo internacional”. É falso. A medida é fruto da pressão doméstica americana, da inflação recorde e do peso da bancada agro nos EUA, que nunca apoiou tarifas sobre produtos brasileiros.
No fim das contas, Trump fez o que todo presidente preocupado com reeleição faz: tirou a mão do fogo quando o preço da carne ameaça explodir.
Já Lula tenta transformar um gesto pragmático de Trump em triunfo diplomático — mas ninguém, nem nos EUA nem no mercado brasileiro, compra essa narrativa.
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