Após assassinato, CRM aponta abandono no Hospital Areolino de Abreu em Teresina
Sem segurança armada, obras paradas e falta de enfermeiro à noite expõem risco a pacientes e médicos
A vistoria realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina, concluiu que a unidade não tem condições de receber novos pacientes. A inspeção ocorreu após o assassinato de um interno e apontou problemas estruturais, assistenciais e de segurança.
A avaliação foi feita na manhã desta quinta-feira (26), poucas horas depois da morte de um paciente dentro de uma enfermaria da unidade psiquiátrica. O caso motivou a presença da equipe de fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Piauí, que percorreu diferentes alas do Hospital Areolino de Abreu.
Entre as irregularidades verificadas está a paralisação das obras de reforma, com execução parcial e sem previsão de conclusão. A estrutura física foi considerada inadequada para o perfil dos pacientes atualmente internados, que somam cerca de 150 pessoas — entre elas, 30 vindas do sistema prisional.
A inspeção também apontou ausência de segurança armada e funcionamento baseado apenas em vigilância patrimonial e agentes auxiliares. O quadro de pessoal foi considerado insuficiente, com número reduzido de médicos para acompanhamento dos internos e inexistência de enfermeiro no plantão noturno.
O conselho informou que vai encaminhar relatório à Secretaria de Estado da Saúde do Piauí solicitando providências para a reestruturação do hospital, reforço da segurança e recomposição das equipes assistenciais.
Em nota, a Sesapi declarou que respeita a atuação do CRM-PI e que aguarda o envio do documento oficial para conhecer as medidas indicadas pelo conselho e, a partir disso, adotar as providências cabíveis.
A vistoria também ocorreu em meio à ampliação das demandas sobre hospitais psiquiátricos após mudanças na política nacional para atendimento de pessoas em cumprimento de medida de segurança, cenário que, segundo o conselho, exige unidades com estrutura adequada e equipes especializadas.
Fonte: CRM-PI
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