Vorcaro negocia delação com promessa de ressarcir bilhões desviados de fundos de pensão
A negociação de um acordo de colaboração premiada do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, avança sob forte pressão e cercada de incertezas. Apesar das dúvidas sobre o alcance das revelações e o potencial de implicações envolvendo autoridades, um ponto já aparece como central nas tratativas: a disposição do executivo em devolver valores suficientes para cobrir os prejuízos causados a fundos de pensão estaduais e municipais. As revelações são do jornal O Globo.
De acordo com fontes envolvidas nas negociações, a proposta que deve ser apresentada ainda nesta semana à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República prevê o ressarcimento integral das perdas. O rombo total ainda não foi oficialmente consolidado, mas estimativas apontam cifras superiores a R$ 3 bilhões. Dados do Ministério da Previdência indicam que ao menos três estados e 15 municípios investiram cerca de R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do banco entre 2023 e 2024. No caso do Rioprevidência, o aporte total chegou a R$ 2,6 bilhões, considerando diferentes tipos de ativos.
As letras financeiras, principal instrumento utilizado pelo Master para captar recursos, são consideradas aplicações de alto risco por não contarem com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação do banco pelo Banco Central, investidores ficaram expostos à perda integral dos valores aplicados.
O valor exato a ser devolvido e o montante de eventuais multas seguem como principais entraves para a formalização do acordo. Ao mesmo tempo, Vorcaro demonstra pressa em fechar a colaboração, diante do receio de perda de recursos mantidos no exterior.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que o esquema operava com alcance nacional e envolvia decisões aceleradas e, em alguns casos, atípicas na liberação de investimentos. No Rioprevidência, por exemplo, o credenciamento do banco e a autorização para um aporte inicial de R$ 100 milhões ocorreram em menos de um mês, sem análise prévia do comitê de investimentos. O então diretor-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso em fevereiro.
Situação semelhante foi identificada no Amapá, onde o fundo Amprev aprovou investimento de R$ 100 milhões apesar de alertas técnicos sobre o risco de solvência da instituição. Auditoria do Ministério da Previdência apontou ainda que diferentes fundos replicaram documentos idênticos para habilitar o banco, indicando possível padronização irregular de procedimentos.
Hora Brasília/ O Globo
WhatsApp do Portal Saiba Mais: (89) 9 9922-3229

