Cientistas confirmam cratera causada por meteorito no Piauí
Pesquisadores liderados pelo professor emérito da Universidade Estadual de Campinas, Alvaro Crósta, confirmaram a existência de uma cratera de impacto meteorítico no município de São Miguel do Tapuio. A formação geológica possui cerca de 21 quilômetros de diâmetro e passa a ser considerada a segunda maior cratera do tipo na América do Sul.
A descoberta foi publicada no periódico científico Meteoritics & Planetary Science, da The Meteoritical Society. A estrutura é agora a nona cratera de impacto confirmada no Brasil e a 37ª maior já identificada no mundo.
Segundo os pesquisadores, a formação começou a ser estudada ainda na década de 1980, após ser identificada em imagens de radar do Projeto Radambrasil. A área chamou atenção pelo formato circular, com anéis internos e uma região central elevada, características típicas de crateras de impacto complexas.
Apesar disso, a confirmação da origem meteorítica só ocorreu após décadas de pesquisas de campo e análises laboratoriais. As dificuldades de acesso à região, localizada cerca de 215 quilômetros de Teresina, atrasaram os estudos. A área possui relevo acidentado e vegetação densa da Caatinga.
“Os estudos de crateras de impacto nos permitem entender a evolução das superfícies dos planetas ao longo do tempo geológico. Na Terra, ajudam também a entender a frequência das grandes colisões cósmicas e fornecem elementos para a proteção do nosso planeta em relação a eventos similares futuros”, afirmou Alvaro Crósta.
A comprovação definitiva ocorreu após expedição realizada em 2017, quando pesquisadores conseguiram coletar amostras de arenito na região central da estrutura. As análises identificaram deformações por choque em grãos de quartzo, fenômeno que só ocorre sob pressões extremamente elevadas causadas por impactos meteoríticos.
“Essas feições só se formam em regimes de pressão muito altos, são exclusivamente criadas nesse tipo de evento e ficam registradas de forma permanente nas rochas”, explicou o pesquisador.
Os estudos também utilizaram dados dos satélites TanDEM-X, da Alemanha, e Sentinel-2, da Europa, para análise da topografia e da morfologia da cratera. A idade exata da formação ainda não foi definida, mas os cientistas trabalham com duas possibilidades, cerca de 159 milhões ou 267 milhões de anos.
A maior cratera de impacto da América do Sul continua sendo o Domo do Araguainha, com aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro.
A pesquisa envolveu ainda cientistas de universidades federais de Santa Catarina, São Carlos, Brasília e Ceará, além da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal da Bahia.
Por Tarcio Cruz/Cidade Verde (Com informações Unicamp)
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