À beira do colapso, Bahia tem lei seca e suspende cirurgias

Diante da proximidade do colapso do sistema de saúde, com filas de pacientes para acessar uma vaga de UTI, o governo da Bahia e a Prefeitura de Salvador anunciaram na manhã desta quinta-feira (25) a restrição total de atividades não essenciais.

As medidas, que passam a vigorar a partir das 17h desta sexta-feira (26) e vão até as 5h do dia 1º de março, também englobam a proibição de venda de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes, supermercados e lojas de conveniência.

Nesta sexta-feira, um decreto vai suspender por dez dias as cirurgias eletivas nas redes públicas e privadas.

“Atividades sociais de qualquer natureza, sejam elas religiosas, esportivas, políticas e culturais, também estão proibidas em toda a Bahia durante este período. Faço meu apelo que baianos e baianas compreendam a importância das medidas e respeitem o decreto estadual”, escreveu o governador da Bahia, Rui Costa (PT), nas redes sociais.

Ele explicou que há 195 pacientes acometidos por síndrome respiratória aguda grave esperando vaga em leitos de UTI no estado.

Nesta sexta-feira, o comércio de rua será fechado às 17h, bares e restaurantes, às 18h e os shoppings e centros comerciais, às 20h. Só vão voltar a funcionar no dia 1º de março. Durante este período, o transporte público vai funcionar normalmente.

“Nosso grande objetivo agora é garantir o distanciamento social nesta fase crítica da pandemia. Temos 195 pessoas neste momento aguardando vagas em leitos de UTI na regulação. Isto revela o drama que estamos vivendo neste momento”, declarou Rui Costa.

Dos 14 hospitais em Salvador que atendem o SUS, 6 apresentam nesta quinta-feira (25) taxa de ocupação de UTI de 90% ou mais. O Hospital Português e o Hospital de Campanha Covid-19/Itaigara Memorial estão com todos os leitos ocupados. No geral, a Bahia tem hoje uma taxa de ocupação de UTIs/Covid-19 de 83%

O secretário municipal de Saúde, Leonardo Prates, disse que o sistema de saúde da capital baiana está bem perto de entrar em colapso.

“Nunca vivi uma cena dessas. É muito triste. Estamos perto do colapso. Em 24 horas, tivemos 133 regulações só nas UPAs municipais”, explica.

A rede privada também está bastante pressionada. Há registros de atendimentos de pacientes com planos de saúde na rede pública.

Ele declarou que, no auge da primeira onda, em maio do ano passado, houve 74 solicitações de pacientes que estavam em UPAs da capital baiana para vagas de UTI em um único dia. “Até as 6h desta quinta-feira, regulei 66 pacientes. Agora, temos 58 pessoas esperando nas UPAs de Salvador. Considero que entraremos em colapso quando não conseguirmos mais retirar ninguém das UPAs”, afirmou.

Diante do quadro de emergência, a prefeitura requisitou administrativamente o Hospital de Salvador, unidade privada que funcionava com 20 leitos de UTI. “Vamos abrir mais 20 leitos”, disse Prates. A Santa Casa de Misericórdia ficará responsável pela administração.

O ginásio de Itapuã, em Salvador, será transformado em um hospital de campanha. “As medidas restritivas vão nos ajudar. Estamos esticando o sistema de saúde. Esperamos a diminuição da curva de contágio para não entrarmos em colapso”, finalizou Prates.

Fonte:Folhapress

 

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