Cidadania decide afastar deputado que apalpou colega na Assembleia de SP

O Cidadania, partido do deputado estadual paulista Fernando Cury, decidiu nesta sexta-feira (18) afastá-lo das funções partidárias por ter apalpado no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo a deputada estadual Isa Penna (PSOL). A parlamentar o denunciou por assédio em discurso nesta quinta (17).

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A legenda informou que, enquanto durar o processo sobre o caso no conselho de ética da sigla, Cury ficará afastado “de todas as funções diretivas partidárias, em todas as instâncias, bem como de todas as funções exercidas em nome do Cidadania, inclusive junto à Assembleia”.

O conselho começará a avaliar o episódio nesta sexta, a partir de representação feita pelos presidentes nacional e estadual do Cidadania, o ex-deputado federal Roberto Freire e o deputado federal Arnaldo Jardim, respectivamente. Eles pediram a instauração imediata de um procedimento disciplinar. “A decisão significa que, enquanto durar o processo, ele estará afastado de qualquer representação partidária, não falará em nome do partido”, disse Freire à reportagem.

Cury atualmente é vice-presidente estadual da legenda em São Paulo e ocupa vaga em três comissões parlamentares na Assembleia (Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento do Interior e Geração de Empregos e Renda).

Freire afirmou considerar a denúncia grave e disse que providências serão tomadas a partir do parecer do conselho de ética. “O estatuto prevê punições que vão até a expulsão, mas isso será decidido oportunamente. Tem que haver todo o cuidado que a lei exige”, disse o dirigente.

O regimento interno prevê que, a partir do recebimento da denúncia, Cury terá prazo de oito dias para apresentar defesa. O deputado negou ter cometido assédio e pediu desculpas à deputada. Isa também registrou boletim de ocorrência contra ele e fez uma representação ao conselho de ética da Assembleia. “É um momento de muito constrangimento. É lamentável e dolorido para a deputada [Isa] e para todo o mundo. É grave, atinge a família dos envolvidos, não é uma coisa simples”, afirmou Freire.

“Vai haver punição, isso não tem dúvida, mas isso será decidido quando o conselho de ética der o seu parecer.” Na representação, os presidentes nacional e estadual pediram “urgência na apuração dos fatos, sem prejuízo do contraditório e da ampla defesa, considerando que a acusação refere-se a uma conduta absolutamente incompatível com os princípios defendidos pelo partido”.

A cúpula da legenda quer que o caso seja examinado com urgência. O núcleo feminino do Cidadania divulgou nota de solidariedade a Isa Penna, na qual afirmam que “é entristecedor ver um ato que assedia um corpo de mulher sendo explicitado numa das Casas do povo brasileiro”.

Cury afirmou, via assessoria, que não foi informado oficialmente pelo partido sobre a decisão de afastá-lo nem foi notificado de procedimento interno no conselho de ética da legenda. Segundo a pauta da reunião convocada para esta sexta, o colegiado ainda fará a apreciação da representação contra ele. “Tão logo seja formalmente comunicado, irei apresentar a versão dos fatos, exercendo assim meu direito de defesa”, disse.

Até a noite desta sexta, a Mesa Diretora da Assembleia não havia sido informada oficialmente sobre a decisão do Cidadania de suspender o parlamentar da representação partidária. A medida não acarreta prejuízo ao mandato de Cury, que continuará na cadeira de deputado.

A história veio a público na tarde desta quinta, quando Isa subiu à tribuna da Assembleia e disse que foi assediada por Cury no plenário. Um vídeo exibido na sessão mostra o parlamentar se aproximando da colega por trás e apalpando-a. A situação ocorreu durante a sessão de quarta-feira (16), na qual os deputados votavam o orçamento do estado para 2021. Isa estava de pé, diante da mesa da presidência da Casa, conversando com o presidente Cauê Macris (PSDB), quando o colega chegou por trás sem que ela percebesse.

No vídeo, é possível ver que Isa tirou a mão de Cury e se desvencilhou dele. O deputado pediu a palavra após a exibição da gravação, negou ter cometido assédio e pediu desculpas por ter, segundo ele, abraçado a parlamentar.

“Eu fui apalpada na lateral do meu corpo”, relatou a deputada. “O que dá o direito a alguém de encostar em uma parte do meu corpo, íntima? O meu peito é íntimo. É o meu corpo.” “Eu sou uma jovem mulher eleita, eu tenho o direito de estar aqui sem ser apalpada, sem ser assediada”, acrescentou.

Outras parlamentares foram ao microfone nesta quinta se solidarizar com Isa, defenderam que o caso seja investigado e criticaram o machismo.

Na tribuna, Cury se disse triste e constrangido em ter que se pronunciar. “Gostaria de frisar a todos, principalmente às mulheres que estão aqui, que não houve, de forma alguma, da minha parte, tentativa de assédio, de importunação sexual ou qualquer outra coisa com algum outro nome semelhante a esse”, afirmou.

“Eu nunca fiz isso na minha vida toda. […] Mas, se a deputada Isa Penna se sentiu ofendida com o abraço que eu lhe dei, eu peço, de início, desculpa por isso. Desculpa se eu a constrangi. Desculpa se eu tentei, como faço com diversas colegas aqui, abraçar e estar próximo”, disse ele.

Fonte: Folhapress

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