Federação Paulista leva jogos de Corinthians e Palmeiras para Volta Redonda

Horas depois de publicar nota na qual confirmava a suspensão do Campeonato Paulista até o próximo dia 30, seguindo as restrições impostas pelo governo de São Paulo, o presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos, telefonou para presidentes de quatro clubes do estado para questionar se eles conseguiriam jogar nesta terça (23) em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

A ideia da entidade é dar prosseguimento ao Estadual com uma rodada dupla no Estádio da Cidadania, na cidade fluminense, com São Bento x Palmeiras e Mirassol x Corinthians. A informação foi divulgada originalmente pela ESPN.

A partida do Corinthians foi confirmada para esta terça, às 21h. Já a do Palmeiras deve ficar para quarta (24), ainda sem horário definido.

Todos aceitaram a ideia apresentada por Bastos de jogar fora do estado, mas a decisão repentina da entidade, somada à falta de maiores informações, deixou os clubes desorientados.

O São Bento divulgou no início da noite que não viajaria nesta segunda por falta de confirmação da FPF. Os jogadores do time, inclusive, já estavam dentro do ônibus quando veio notícia do cancelamento da viagem. Já o Palmeiras se recusou a jogar nesta terça.

A distância de Volta Redonda para a cidade do interior paulista é de 409 km. Da capital até o município fluminense é de 317 km.

Consultada, a Prefeitura de Volta Redonda não se opôs ao recebimento dos jogos. A demanda de Carneiro Bastos teve o auxílio da Ferj (Federação Estadual do Rio de Janeiro) e o primeiro contato foi feito pela CBF.

Não está claro se a FPF deseja realizar as rodadas seguintes do torneio no Rio. A intenção é conseguir adiantar partidas de equipes que disputem outras competições, como Copa do Brasil, Libertadores ou Sul-Americana, para poder manter o término do Paulista em 23 de maio, mesmo com a suspensão e a impossibilidade de jogar em São Paulo.

Após o jogo pelo Paulista, o Corinthians irá permanecer em Volta Redonda para enfrentar o Retrô, de Pernambuco, na próxima sexta (26), pela Copa do Brasil. A CBF também levou outros cinco duelos pelo torneio nacional ao município fluminense, que devem ser realizados de quinta até domingo.

Quando João Doria (PSDB) anunciou a paralisação do futebol em São Paulo por 15 dias a partir de 15 de março, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro havia dito que o Rio estava de “braços abertos” para receber os jogos. Pouco depois, voltou atrás.

Cotada como possibilidade ainda no início das discussões sobre onde o Estadual poderia ser jogado, a cidade do Rio de Janeiro não deve ter mais chances de receber as partidas do Paulista neste momento, inclusive porque suspenderá as partidas do Campeonato Carioca na capital.

“Na cidade do Rio não pode [ter o Campeonato Carioca], no Caio Martins [em Niterói] também não”, afirmou Eduardo Paes (DEM), prefeito da cidade do Rio de Janeiro, em coletiva com o prefeito de Niterói, Axel Grael.

Ambos decretaram o fechamento de todos os serviços não essenciais nas cidades a partir de sexta-feira (26), em medida que causou atrito com o governador do estado. Castro ameaçou ir à Justiça para derrubar os decretos municipais.

Em São Paulo, Doria seguiu recomendação do Ministério Público, que pediu a paralisação de eventos esportivos e religiosos no estado por causa do aumento de casos de Covid-19.

A FPF não concordou com a decisão e tentou revertê-la, sem sucesso. A alegação é que o protocolo sanitário usado no futebol é seguro e foi assinado também pelas autoridades.

A procura por realização de jogos em outros estados não é nova. Palmeiras e São Bento chegou a ser marcado para Belo Horizonte, mas não aconteceu porque Minas Gerais também aumentou as restrições.

ALEX SABINO, CARLOS PETROCILO E JOÃO GABRIEL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

 

 

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