Política

Governo Lula articula acordo na CPI do INSS para blindar Frei Chico em troca de ampliar apuração ao governo Dilma, diz O Globo

O governo Lula costurou um acordo político na CPI do INSS para blindar Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de uma convocação. Em troca, governistas aceitaram a proposta da oposição de ampliar o escopo da investigação, estendendo a linha do tempo das apurações para incluir também irregularidades ocorridas durante o governo Dilma Rousseff. A informação é do jornal O Globo.

A negociação foi considerada uma vitória pela base aliada, que busca reduzir riscos de desgaste para a família do presidente em meio às investigações sobre fraudes em aposentadorias e pensões. Frei Chico, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), foi citado em relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), mas não é formalmente investigado. O sindicato nega irregularidades.

Para garantir a blindagem, governistas impuseram uma condição: qualquer votação de requerimentos será feita em bloco e apenas com consenso entre os membros da comissão. Na prática, isso reduz a chance de que o nome de Frei Chico apareça isoladamente em uma lista de convocações.

“Enquanto não tivermos certeza de que houve participação, não faremos convocações, especialmente no âmbito político”, afirmou o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após a sessão.

O acordo ocorre em meio ao esforço do Planalto para conter danos políticos, já que a oposição conquistou os principais cargos da comissão — a presidência com Viana e a relatoria com o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ambos críticos do governo.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que a manobra reduz o espaço para desgastes envolvendo a família presidencial e permite que a CPI concentre esforços em episódios mais recentes, como os descontos irregulares em benefícios que já derrubaram ministros da Previdência no passado.

Apesar da blindagem, a oposição promete manter a ofensiva. Mais de 800 requerimentos já foram protocolados, incluindo pedidos de convocação de ex-ministros de diferentes governos e ex-presidentes do INSS.

Via Hora Brasília


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