Reaproximação de Flávio e Michelle Bolsonaro antecede convenção do PL
Em meio a uma serie de imbróglios para a corrida ao Planalto e às vésperas da convenção que oficializará sua candidatura, senador pede desculpas, via redes sociais, por agressões verbais à ex-primeira-dama. Também pela internet, ela sela a paz com o enteado
Por Rafaela Gonçalves e Luíza Altoé/Correio Braziliense
Às vésperas de o PL oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, uma articulação construída nos bastidores colocou fim ao distanciamento entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O movimento, considerado estratégico por aliados, buscou restabelecer a unidade do grupo político.
A reaproximação pública foi iniciada após Flávio publicar um vídeo nessa quinta-feira nas redes sociais em que pediu desculpas a Michelle e fez um apelo para que ela participe da campanha presidencial. O senador reconheceu que houve momentos de desconforto e afirmou que nunca teve a intenção de desrespeitar a ex-primeira-dama.
“Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai”, declarou.
No vídeo, Flávio também destacou a atuação de Michelle no PL Mulher e pediu que o grupo deixe diferenças de lado para concentrar forças na disputa eleitoral. “Não vamos transformar essa situação em mais motivos de ataques que podem e serão usados contra nós mesmos. Vamos evitar qualquer divisão. O momento exige união. O que nos une é muito maior que qualquer diferença”, afirmou.
A resposta veio mais tarde, quando Michelle confirmou que aceitou o pedido de desculpas e disse que a reconciliação representa um passo para fortalecer o grupo. Em vídeo publicado nas redes sociais, a ex-primeira-dama destacou ter recebido as palavras de Flávio “com muita paz” e valorizou a iniciativa do senador. “Todos nós cometemos erros, isso é humano. E o seu gesto de vir a público para pedir desculpas tem muito valor, e poucos homens teriam coragem de fazer isso”, declarou.
Michelle afirmou que o projeto político do grupo deve estar acima de divergências pessoais e defendeu uma mobilização de apoiadores. “O nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior do que desentendimentos. Por isso, aceito o seu pedido. Eu te desculpo. Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil”, discursou.
A articulação para a reconciliação teve participação direta da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), apontadas por Michelle como responsáveis pela mediação do entendimento.
Segundo Damares, a aproximação vinha sendo construída havia semanas e era vista como uma prioridade antes da convenção nacional do PL, marcada para amanhã, em São Paulo, quando Flávio deve ter a candidatura oficializada. “Já era esperada, estávamos trabalhando por isso”, afirmou a senadora ao Correio. “Era importante que fosse antes da convenção”, completou.
“Coração em paz”
À noite, em evento em Brasília, Michelle disse que o pedido público de desculpa representa um passo importante para a reconstrução da relação entre ela e Flávio. “A reconciliação deixa o nosso coração em paz, deixa o nosso coração livre para que a gente possa reconstruir uma nova relação. Só quem ganha é o Brasil e a nossa família”, afirmou. Ela evitou confirmar uma eventual candidatura ao Senado. Questionada pelo Correio foi breve na resposta: “Ora por mim”.
Aliados avaliam que o entendimento ocorreu em um momento decisivo, diante dos desgastes recentes no núcleo político. O gesto veio no mesmo dia em que Flávio passou a ser alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do Master envolvendo o filme Dark Horse, além das repercussões da reunião com embaixadores, em que o senador colocou em dúvida a lisura das urnas eletrônicas.
Michelle não deve participar da convenção do PL em São Paulo, a ex-primeira-dama permanecerá em Brasília para acompanhar Jair Bolsonaro. A expectativa é que ela esteja presente no ato de lançamento da candidatura de Celina Leão ao Governo do Distrito Federal, marcado para 2 de agosto, quando deve dividir o palanque com Flávio.
A convenção do PL deve ocorrer sem a definição de alianças partidárias e sem a indicação do vice na chapa. O evento contará com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei.
A oficialização dde Flávio se dará em meio a um distanciamento de siglas do Centrão da campanha do senador. A federação União-Progressista e o Republicanos devem assumir posição neutra, evitando comprometer a atuação dos diretórios regionais com um único projeto nacional.
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