Sob risco de desmanche, Flamengo tenta evitar clima de liquidação

A temporada vai chegando ao fim, as avaliações sobre o elenco se intensificam, e o Flamengo convive com a ameaça de desmanche do time que ganhou tudo em 2019, iniciou 2020 com o status de bicho-papão e agora se vê em posição desfavorável na luta pelo título do Brasileiro.

Exceção feita a Yuri César, cuja venda já está acertada para o Shabab Al Ahli (EAU), o Flamengo não tem nenhuma negociação avançada para uma nova saída, mas há assédio de clubes de fora e também o interesse de jogadores em mudar de ares.

Peça das mais importantes do clube rubro-negro nas recentes conquistas, Everton Ribeiro é namorado pelo Al-Nasr, clube dos Emirados Árabes.

Uma proposta já foi recusada anteriormente, mas uma nova investida é aguardada. O camisa 7 já não vê uma saída com maus olhos. Porém, essa questão ainda está um estágio ainda informal.

O Flamengo não tem intenção de perder o meia, mas entende que uma oferta tentadora pode mudar os rumos. Aos 31 anos, em má fase no clube carioca, Everton Ribeiro sabe que este poderia ser o seu último grande contrato, embora receba um alto salário na Gávea.

Por outro lado, o jogador também tem em mente que uma eventual mudança para a Arábia Saudita praticamente encerraria a chance de disputar a Copa do Mundo de 2022, no Qatar.

O caso de Léo Pereira, por sua vez, é diferente. O zagueiro está no mercado, e o clube entende que o melhor caminho é um negócio. O jogador, que custou quase R$ 30 milhões na cotação da época, foi uma das maiores frustrações de 2020.

Inseguro, ele não deu conta do recado e jamais conseguiu se destacar. Os agentes do defensor estão buscando interessados. O clube rubro-negro só não está disposto a fazer qualquer negócio: tudo dependeria dos valores levantados.

Na mesma situação de Pereira está Michael, contratado por cerca de R$ 35 milhões. O Al-Ain, também dos Emirados, acenou com uma proposta, mas os flamenguistas endurecem o jogo para tentar subir os valores.

Ainda em dívida com o Goiás, o Flamengo tenta ganhar tempo para saldar o prejuízo com a conversa com os árabes.

Depois de uma temporada com meses de portões fechados, também levando em conta as metas financeiras que o time deixou de cumprir em campo, o Flamengo não está em uma posição de cortar comunicação com o mercado. Pelo contrário.

De todo modo, a ideia da diretoria é evitar um clima de “liquidação” e fim de festa, até para que a imagem de solidez financeira construída nos últimos anos não fique arranhada. As ofertas serão estudadas e haverá uma ordem de prioridade na hora de se desfazer de algum atleta.

Esse clima de mudança de ciclo começou a ser iniciado com a saída do treinador Jorge Jesus para o Benfica, fato que desestruturou completamente o departamento de futebol. Em seguida, o lateral Rafinha foi para o Olympiacos (GRE).

No início do ano passado, o zagueiro Pablo Marí já havia se despedido rumo ao Arsenal, sendo a primeira baixa da equipe mais vitoriosa do Flamengo em décadas.

Em meio ao ambiente de reformulação, o Flamengo se agarra à matemática para seguir sonhando com o título do Brasileiro. A seis pontos do líder Internacional, o time encara o Grêmio nesta quinta-feira (28), às 20h, em Porto Alegre, em jogo adiado pela 23ª rodada.

Uma derrota joga um balde de água fria nas pretensões do clube e torna o futuro ainda mais nebuloso.

Diego Alves e Rodrigo Caio, lesionados, desfalcam o Flamengo. Já o Grêmio, que tenta chegar ao G-4 do Brasileiro, não terá Pedro Geromel, fora da temporada por lesão, mas espera poder contar com o volante Maicon, que ainda busca a forma física ideal.

LEO BURLÁ E PEDRO IVO ALMEIDA
RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

 

 

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