Tronco de 2 toneladas mais antigo que os dinossauros é encontrado no interior do Piauí: ‘280 milhões de anos’

Descoberta aconteceu na Bacia do Rio Parnaíba, região mais rica em troncos petrificados no Brasil, segundo o professor PhD em Geociências, Juan Cisneros.

Um tronco fossilizado da Era Paleozóica, com cerca de 280 milhões de anos e aproximadamente duas toneladas, foi encontrado, nessa quinta-feira (23), em Altos, a 40 km de Teresina. A idade é anterior ao surgimento dos dinossauros na terra e até mesmo à divisão dos continentes no planeta.

Esse foi o segundo maior fóssil de vegetal encontrado na área de um sítio paleontológico, cerca de 15 km ao sul da sede do município.

A informação é do professor de paleontologia da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) e PhD em Geociências, Juan Cisneros. Ele disse ao g1 que a área fica na região da Bacia do Rio Parnaíba, localizada no Piauí, Maranhão e Ceará, a mais rica em troncos petrificados no Brasil.

A gente realiza sempre monitoramento e vimos esse tronco que tinha passado desapercebido. Esses fósseis estão em uma mata de cocais e é difícil localizá-los ou mesmo enxergá-los. Eles parecem uma ‘pedra comum’ aos olhos das pessoas”, contou o pesquisador.

Contudo, o professor disse que, com atenção, é possível identificar os vestígios. “Olhando em seção você pode ver que ele é circular e tem anéis de crescimento, significa que ele foi uma árvore. De lado é possível ver um pouco da antiga casca e a direção do crescimento da lenha”, explicou.

À primeira vista, fóssil de tronco pode ser facilmente confundido com uma pedra comum — Foto: Arquivo Pessoal/Juan Cisneros

À primeira vista, fóssil de tronco pode ser facilmente confundido com uma pedra comum — Foto: Arquivo Pessoal/Juan Cisneros

Origem

O professor disse que a origem de um fóssil assim não é tão fácil de ser explicada. “Primeiro a árvore tem que morrer. Geralmente, ela apodrece e fungos, além de outros animais, ajudam na degradação, mas, às vezes, também acontece dela ficar coberta por lama”, disse.

“Nesse caso, da árvore encoberta com lama, ela fica protegida de ser degradada, de apodrecer. E se essa lama tiver sílica, um mineral abundante na Terra, a árvore pode petrificar, porque a sílica se dilui na água e entrar em cada célula da árvore, substituindo a água por mineral, iniciando esse processo, que demora milhares de anos”, completou.

Levar conhecimento e renda às comunidades

Juan Cisnero informou que em 2016 foi publicado um levantamento informando a descoberta de mais de 70 troncos petrificados dentro desse sítio em Altos. “De lá para cá, temos achado mais alguns e estamos tentando criar uma unidade de conservação”, afirmou.

O professor defende que essas descobertas cheguem à população. “Por isso estamos desenvolvendo um projeto de extensão no município. A ideia é levar esse conhecimento às comunidades”, disse.

Para o pesquisador, os vestígios também podem se tornar fonte de renda para a população local, através do turismo. “Muitas pessoas ainda não sabem isso e para que o turismo chegue é necessário investimento e, especialmente, que a população se torne guardiã desse patrimônio”, declarou.

Parque Floresta Fóssil

Considerada patrimônio cultural e um sítio paleontológico do Brasil, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Parque Floresta Fóssil, em Teresina, é um sítio natural datado da era paleozoica (período permiano), onde troncos permineralizados permanecem em posição vertical.

Estima-se um total de 60 unidades, com dimensões variadas, em bom estado de conservação, com suas estruturas internas bastante visíveis. Os visitantes podem ver exemplares que afloram nas águas do Rio Poti.

O acesso ao parque é pela Avenida Raul Lopes, bairro Noivos, Zona Leste da capital. O acesso é gratuito.

Fonte: Lucas Marreiros, g1 PI


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