Política

Vereadores evitam comentar operação que mira gestão de Dr. Pessoa

Vereadores de Teresina que atuaram como secretários na gestão de Dr. Pessoa se recusaram na manhã desta terça-feira (14) a comentar a operação Gabinete de Ouro, que investiga atos de corrupção na gestão do ex-prefeito de Teresina. Ao final da sessão, os parlamentares se dirigiram rapidamente ao salão nobre da casa, onde a imprensa não tem acesso. Quase metade da casa indicou cargos ou foi secretário na gestão passada. Apenas o vereador Pedro Alcântara (PP) comentou o assunto.

O Cidadeverde.com entrou em contato com o ex-prefeito Dr. Pessoa, que preferiu não se manifestar.

As contas de Dr. Pessoa, reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, que seriam votadas pelo plenário da Câmara nesta quarta-feira, não entraram em pauta.

Pedro Alcântara lembrou que já havia alertado, meses atrás, sobre a situação financeira da prefeitura e afirmou que a operação apenas confirma o que vinha sendo investigado por órgãos de controle. “Eu disse que a prefeitura estava quebrada. Quem quebrou? Foi o PT e o MDB. O Dudu não gostou e abriu a CPI. E a CPI escancarou as vísceras da gestão anterior”, declarou.

O parlamentar destacou ainda que as contas do ex-prefeito Dr. Pessoa, relativas aos exercícios de 2021 e 2022, foram reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e deveriam ser votadas pelo plenário nesta quarta-feira (15), mas acabaram sendo retiradas da pauta. “O Tribunal foi incisivo. Dois anos seguidos de reprovação. E agora quero ver como será o comportamento dos vereadores para julgar as contas da gestão da qual muitos participaram”, afirmou.

Para Pedro Alcântara, a operação policial e o julgamento político das contas colocam os vereadores em uma posição delicada. “O ex-prefeito está inelegível, e quem poderá salvá-lo é a Câmara. Mas como fazê-lo contrariando o parecer do Tribunal de Contas? Essa é a pergunta”, disse.

Mesmo criticando a gestão, o vereador ponderou que Dr. Pessoa pode ter sido induzido a erros por pessoas próximas. “Eu não acredito que ele tenha participado da roubalheira. Acho que foi enganado, iludido por assessores. A vida dele não mudou nada. As pessoas ao redor dele é que se aproveitaram da situação”, completou.

A operação

A Polícia Civil do Piauí cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária, além do bloqueio de bens, veículos e imóveis avaliados em mais de R$ 75 milhões. Entre os alvos estão ex-servidores e ex-assessores diretos de Dr. Pessoa, incluindo sua sobrinha e ex-chefe de gabinete, Suelen Pessoa.

De acordo com o Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR), a investigação começou há cerca de um ano, a partir de uma denúncia anônima com dossiê que detalhava o suposto esquema conhecido como “Gabinete de Ouro”, envolvendo práticas de rachadinhas, propina e desvio de recursos públicos.

As ações ocorreram em Teresina e no município de Timon (MA). Foram apreendidos celulares, notebooks, dinheiro em espécie e documentos que reforçam o vínculo dos investigados com o núcleo da organização criminosa. Segundo a delegada Amanda Bezerra, “os materiais recolhidos comprovam a ligação direta de alguns investigados com os principais alvos da operação”.

As apurações continuam e devem apontar novos envolvidos. Conforme o DECCOR, parte dos desvios ocorria por meio de servidores comissionados e terceirizados que operavam como intermediários financeiros entre gestores e empresas contratadas pela prefeitura.

Por Tarcio Cruz/Ciadde Verde


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