A bilionária CBF empresta dinheiro aos desamparados árbitros

Entidade adianta a taxa de uma só partida aos principais juízes do país. Mas revela: colocará psicólogos à disposição. Eles vão precisar. O dinheiro é pouco

COSME RÍMOLI
Do R7

O discurso inflamado do presidente da CBF, Rogério Caboclo, aconteceu no dia 17 de março, há duas semanas, quando a entidade que controla o futebol neste país divulgou seu balanço.

E com receitas de R$ 957 milhões.

Fazia seis dias que a Organização Mundial de Saúde havia decretado a pandemia do coronavírus.

Caboclo não percebeu as consequências econômicas que teria para o futebol brasileiro.

Ele se esqueceu o quanto é frágil a infraestrutura do esporte

E lógico que os R$ 957 milhões da CBF seriam vistos como tábua de salvação para o desespero geral, com as partidas suspensa, sem prazo para retorno.

Os árbitros foram os primeiros a se mobilizar.

E mostrar a absurda situação que vivem.

A ex-presidente Dilma Rousseff aprovou decreto que regulariza a ‘profissão’. Mas com vetos fundamentais. Como direito a piso, férias e, principalmente, vínculo empregatício com a CBF e Federações.

Na prática, são meros prestadores de serviço.

Taxa de arbitragem é sinônimo de cachê.

Como só recebem quando há jogos, sem exceção, eles estão desesperados.

E procuraram a Associação Nacional dos Árbitros, exigindo ajuda financeira da CBF. Isso há cerca de dez dias, quando ficou evidente que os campeonatos não seriam retomados a curto prazo.

A imprensa serviu não só para informar, mas para cobrar a milionária CBF.

A entidade relutou, mas finalmente cedeu.

E ontem, o presidente da Comissão de Arbitragem, Leonardo Gaciba, finalmente quebrou seu silêncio.

Confirmou que 479 árbitros terão o adiamento de uma cota máxima.

Ou seja, de apenas um jogo.

Por exemplo, Anderson Daronco, um dos principais árbitros deste país. Ele é do quadro da Fifa. E ganha em partidas importantes, como final de Copa do Brasil, R$ 5.000,00.

Daronco acumulava antes da pandemia, cerca de R$ 50 mil mensais. Muitas vezes até mais.

Mas vale reproduzir as taxas de arbitragem do Brasileiro de 2019.

Árbitro (Fifa e ex-Fifa), R$ 4.140,00 por partida; arbitro (CBF): R$ 3 mil; assistente (Fifa e ex-Fifa) R$ 2.484,00; Assistente (CBF), R$ 1,8 mil.

A CBF adiantará cerca de R$ 1 milhão para 486 árbitros.

Sim, adiantará, porque esse dinheiro será descontado dos juízes, quando a pandemia passar.

CBF : receitas de R$ 957 milhões em 2109. E empresta R$ 1 milhão aos juízes

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CBF

“Um grupo de árbitros trouxe essa ideia do adiantamento da taxa, e essa ideia foi levada ao presidente que estudou e ontem (31) fez o anúncio que será adiantado ao árbitro que faz parte do quadro nacional a melhor taxa recebida o ano passado; 486 profissionais terão esse tipo de aporte. Vai fazer uma diferença muito enorme para a vida deles”,disse Gaciba, ao Esporte Interativo.

Tanto não é assim, que a CBF disponibilizará psicólogos para terapia individual ou em grupo, para os árbitros, nesse período sem trabalho.

“Entre 40 a 50 pessoas serão atendidas por dia”, destaca a CBF, no seu site oficial.

Mais aulas on line. Além de treinamentos para serem feitos em casa.

No futebol brasileiro há a velha hipocrisia. 

A arbitragem seria a ‘segunda’ profissão dos juízes de futebol. Mas para a elite, os que trabalham nas principais partidas nunca foi. 

Daí, a terrível crise que seguem vivendo, apesar do adiantamento.

Equipes da Série A e da B, baixam o salário dos seus elencos.

Já os jogadores da Série C e da Série D assumem o desespero.

Pedem publicamente dinheiro à CBF para os seus clubes, neste período sem futebol.

“Nos apresentamos diante da CBF com a intenção de solicitar doação de recursos para os clubes, com destinação exclusiva para manter em dia o pagamento dos salários dos salários e imagens dos seus atletas, a fim de auxiliar, ou ao menos amenizar, os impactos financeiros”, diz o abaixo-assinado dos capitães da Terceria Divisão do país.

Mas a cúpula da CBF segue calada.

O adiantamento aos árbitros é o único movimento aos seus cofres.

Jogadores e clubes que se virem.

E os árbitros não se esqueçam.

O dinheiro não é uma ajuda.

Mero adiantamento…

 

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