Bolsonaro: ‘Missão de Deus. Ninguém me tira na canetada’

Presidente voltou a dizer que não sabe se será candidato em 2022 e que Forças Armadas irão participar de todas as etapas das eleições

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar neste domingo (10), em Guarujá (SP), que não sabe se será candidato à reeleição no próximo ano. Ele também reafirmou que está cumprindo uma “missão de Deus”, o que já disse em outras ocasiões, e que “ninguém” o tira do cargo. “Estou aqui cumprindo uma missão de Deus, entendo assim. Ninguém vai me tirar daqui na canetada ou na mão grande. Vou cumprir o meu tempo. Se disputar as eleições, pode ter certeza que serão limpas”, afirmou a apoiadores nesta tarde.

Um presidente da República pode ser retirado do cargo em caso de aprovação de pedido de impeachment por parte do Congresso Nacional. Atualmente, há pedidos que estão para análise do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Recentemente, depois do discurso do presidente no 7 de setembro, a discussão foi posta na mesa dos debates da Câmara, mas a questão esfriou depois que Bolsonaro reduziu a temperatura.

Ainda neste domingo, Bolsonaro afirmou a jornalistas que as Forças Armadas vão participar de todas as etapas das eleições no ano que vem. “Assim como outras instituições vão fazer a mesma coisa. Foi um convite do ministro (Luís Roberto) Barroso. E assim sendo, não tem porque duvidar. As Forças Armadas vão participar de todas as etapas das eleições, como acertado pelo ministro Barroso”, pontuou. O mandatário se refere ao fato de Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ter pedido ao ministro da Defesa, Braga Netto, a indicação de um representante das Forças para integrar a comissão de transparência das eleições.

Voto impresso
Questionado sobre voto impresso auditável, tendo em vista que foi um dos grandes defensores do projeto que tramitou na Câmara, o mandatário afirmou: “Com essa nova fórmula que foi feita de várias instituições participar de todo o processo, pode continuar assim”. Perguntado se havia desistido da proposta, afirmou que “o mais preciso é o voto impresso”. “Mas da forma como está desenhado, não deveremos ter problema”.

A defesa do presidente pelo voto impresso gerou desgastes junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Congresso Nacional, principalmente por colocar em dúvida a segurança do processo eleitoral.  A última transmissão ao vivo feita por ele, questionando o sistema, foi incluída no inquérito das fake news, no Supremo Tribunal Federal (STF), e é alvo de apuração em inquério no TSE.

Neste domingo, apesar de não defender o voto impresso, voltou a dizer que nas eleições de 2018, algumas pessoas tentaram votar nele, mas aparecia o rosto do candidato do PT. A questão já foi desmentida por agências de checagem e tribunais eleitorais.

Por Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

 

 

 

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