Corinthians se mantém contra volta do futebol, mesmo com contas no vermelho

O Corinthians fechou a temporada de 2019 com um déficit histórico de R$ 177 milhões e viu, em meio à pandemia do novo coronavírus, uma série de desfalques nas suas receitas, fruto na paralisação dos campeonatos.

Mais de 70 dias depois da pausa do Campeonato Paulista, o Corinthians, mesmo com a situação financeira complicada, se mantém contra o retorno do futebol. Em carta aberta divulgada na terça-feira (26), Andrés Sanchez, presidente do clube, disse que o “futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia”.

O clube alerta para a situação que o Brasil atravessa. O país é o novo epicentro da pandemia, com número de mortes diárias em ascensão, superior até ao registrado pelos Estado Unidos nos últimos dias.

“Depois de 23 mil mortes causadas pela Covid-19, todo debate é menor. Por isso, em nome do Corinthians, manifesto antes nossa solidariedade a cada brasileiro afetado por doença, luto, ou prejuízo profissional. Tudo isso importa”, relatou o mandatário corintiano.

O texto ainda tem um tom crítico em relação aos times que já estão se preparando para o retorno. “Em 2020, a Série A tem 20 clubes de nove Estados, cada um com panoramas distintos da doença. Isso pede um trabalho mais coordenado entre governos, clubes e federações. Num esporte coletivo, não dá para jogar sozinho”, afirmou Andrés.

Três das maiores receitas do Corinthians sofreram impacto por causa da paralisação. Desde abril, o clube viu uma queda de 70% da cota de televisão. A expectativa é que esse corte seja ainda maior em junho.

Em relação aos patrocínios, que é a segunda maior receita, somente atrás da TV, o Corinthians deixou de receber o valor integral de cinco dos nove parceiros. Os outros quatro estão repassando apenas 25% do valor normal.

Houve queda também na receita de sócio-torcedor. Ela já atinge 30%. Vale ainda ressaltar que o clube já não conta com a receita de bilheteria há seis anos, desde a abertura da Arena Corinthians – toda a bilheteria é destinada ao fundo responsável pelo pagamento da obra.

Para obter receita de imediato, o clube deve obter uma antecipação do pagamento relativo à venda do meia-atacante Pedrinho. O Benfica acertou o pagamento em quatro parcelas, mas o Corinthians procurou um banco europeu, com taxas de juros menores, para receber toda a quantia de uma vez. O clube tem direito a 70% do montante de 20 milhões de euros (R$ 117,4 milhões na cotação atual).

Sem a maior parte das receitas, o Corinthians passou a reduzir gastos. Os salários dos jogadores do time profissional, da base e do feminino foram cortados em 25%. Além disso, houve redução de 70% dos salários dos funcionários, que serão contemplados com uma ajuda do governo, prevista na MP 936.

DIEGO SALGADO
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) 

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