Ex-paquito fala do passado envolvendo assédio, drogas, falta de talento de Xuxa

Eram todos lindos e sorridentes, mas o clima nunca foi dos mais leves nos bastidores do ‘Xou da Xuxa’, programa infantil exibido pela Globo entre 1986 e 1992. “Tinha muito ciúme e rivalidade entre a gente”, admite Alexandre Canhoni, o Xand, 49, um dos cinco ex-“paquitos” da apresentadora.

Além de assistentes de palco, eles formavam uma banda em que cantavam e dançavam sensualmente – passado que Xand prefere esquecer. “Me arrependo de seduzir as mulheres”, diz o hoje fervoroso missionário, que abraçou a religião há 27 anos.

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De lá para cá, adotou com a mulher, Giovana, 19 filhos. Os dois têm 14 netos e tocam juntos projetos sociais na África (em Níger, país que ocupa o último lugar no ranking de desenvolvimento humano da ONU). Alexandre se mantém ativo profissionalmente, agora como cantor de louvores e adorações, e diz pautar sua vida pela Bíblia. Ele concedeu a seguinte entrevista ao F5:

PERGUNTA -Depois de quatro anos no “Xou da Xuxa”, você sumiu abruptamente dos holofotes. O que houve?

ALEXANDRE CANHONI -Eu saí porque tinha traçado uma estratégia de marketing para dar um tempo e voltar em uma carreira solo. Voltei, gravei um disco e fiz shows pelo Brasil, mas não decolei como eu imaginava. Fiquei meio perdido até que em fevereiro de 1995, acabei me convertendo e virei discípulo de Jesus.

P.-Tem algum arrependimento da época anterior à sua conversão religiosa?
AC -Me arrependo de não ter conhecido a palavra de Jesus mais cedo. Eu teria errado menos, amaria mais, perdoaria mais e não teria experimentado drogas na época de paquito. Muito menos dançado para seduzir as mulheres. Hoje minha vida é pautada nos princípios bíblicos ao lado da minha esposa, Giovanna, e dos nossos 19 filhos e 14 netos.

P.-Mas o consumo de drogas acontecia em que contexto? Nos bastidores do programa?
AC -Experimentei fora dos bastidores, na época do ‘Xou da Xuxa’. Nunca levei para o camarim e prefiro não falar se vi outras pessoas usando porque não quero comprometer ninguém. É mais ético falar por mim.

P.-Casos de assédio sexual cometidos na TV em décadas passadas estão vindo à tona agora. Chegou a acontecer com você?
AC -O famoso teste do sofá não é lenda. Ele é real. Existe mesmo. Faz parte do métier, tive algumas ‘propostas’ mas, assim como na questão das drogas, prefiro não citar nomes.

P.-A Marlene Mattos, diretora do ‘Xou da Xuxa’, tinha fama de durona e de ser ríspida com subordinados. É justo dizer isso sobre ela?
AC -Ela brigava bastante comigo, era rude, mas hoje entendo. Até nos falamos por WhatsApp às vezes. Só acho que poderia ter usado menos palavrões, agido com mais calma. Na época, ficava chateado, mas não pensava em sair do grupo porque tinha uma meta: seguir na carreira solo. Foi o que fiz.

P.-E a Xuxa? Vocês ainda se falam?
AC -Não encontrei mais a Xuxa. Já procurei a Tatiana Maranhão [ex-paquita e hoje assessora da apresentadora], mas as agendas não batiam. Xuxa tinha e tem sempre um compromisso. Eu queria encontrá-la para conversar, lembrar de quando trabalhávamos juntos.

P.-É verdade que nos bastidores você criticava o talento dela como cantora?
AC -Xuxa era apresentadora. A gente via que era preciso dar ajustes na sua voz. Ela, inclusive, já assumiu isso: sabe que não cantava bem. Se garantia no carisma.

P.-Te surpreendeu a posição atual da Xuxa como defensora dos direitos LGBTQIA+ ?
AC -Não tenho acompanhado o que ela faz e fala sobre o assunto. Não procuro saber também. Não endosso nada que seja contrário aos meus princípios bíblicos. Isso é totalmente inegociável. Já deixei de ir a vários programas de TV que infringiam os meus pensamentos cristãos.

P.-Pode dar um exemplo?
AC -Ir a um programa para cantar uma música que eu gravei no início da minha carreira. Eu não canto nada secular. Só canto louvores e adoração ao Senhor desde fevereiro de 1995. Vivo uma outra verdade e sou uma pessoa extremamente feliz assim.

 

ANA CORA LIMA (FOLHAPRESS)

RIO DE JANEIRO, RJ

 

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