Política

Lula acusa caciques do centrão de exercer influência excessiva sobre Hugo Motta por anistia ampla

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que identifica uma atuação desproporcional de três líderes políticos — o senador Ciro Nogueira, e os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Arthur Lira — sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), no processo de tramitação do projeto de anistia. A declaração foi feita a interlocutores próximos nos últimos dias, segundo entrevistas oficiais.

A crítica de Lula leva em conta dois eventos recentes: a aprovação da urgência para o PL da Anistia, na quarta‑feira (17), e a nomeação de novo relator do projeto, alguém com menor afinidade com o Palácio do Planalto, mas aberto à hipótese de redução de penas para os condenados dos atos de 8 de janeiro de 2023.

Pontos centrais da avaliação presidencial

  • Lula considera que Hugo Motta vem sendo pressionado pelos citados caciques para avançar com uma versão da anistia mais ampla, pressionando o presidente da Câmara a atropelar ritos internos envolvidos nas votações importantes, como o da PEC da Blindagem.
  • O presidente defende que tais influências vão além de alinhamentos partidários normais e configuram um risco institucional, ao concentrar poder em poucas lideranças capazes de impor agenda legislativa de alto impacto com pouco escrutínio.

A PEC da Blindagem, aprovada recentemente na Câmara, exige aval do Congresso para autorizações de prisões ou investigações criminais de parlamentares, e já recebeu apoio de 314 deputados, inclusive de membros do PT. A anistia em debate poderia, dependendo de sua amplitude, levar à redução considerável das penas impostas a condenados como Jair Bolsonaro.

Fontes próximas ao Planalto dizem que Lula vê como positivo o fato de o relator nomeado ‘não ter vínculos diretos com o governo’, o que é contraditório pois Paulinho é conhecido por sua influência entre sindicalistas, o que daria margem para texto com maior equilíbrio — embora permaneça atento à pressão de caciques para que a versão final favoreça agendas mais conservadoras e de proteção institucional.

Fonte: Hora Brasília


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