Piauí registra 88 crianças e adolescentes mortos de forma violenta em 2020

Ao todo, 35 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foram mortos de forma violenta no Brasil em quatro anos

Um relatório da Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram um dado preocupante para o Piauí: 88 crianças e adolescentes, entre 0 e 19 anos, morreram de forma violenta no Estado em 2020. A maior parcela das mortes estão concentradas na capital, Teresina.

Em 2021, as coisas não parecem ter mudado. No último domingo, um adolescente de 17 anos foi executado em São Pedro do Piauí. Ou o caso da jovem em Parnaíba, que foi executada com vários tiros em uma casa no bairro São Francisco da Guarita, na quarta-feira (16).

No Piauí, a violência se dá de forma diferente de acordo com a idade da vítima. Crianças morrem, com frequência, em decorrência da violência doméstica, perpetrada por um agressor conhecido. O mesmo vale para a violência sexual contra elas, cometida dentro de casa, por pessoas próximas. Já os adolescentes morrem, majoritariamente, fora de casa, vítimas da violência armada urbana e do racismo. A maioria das vítimas de mortes violentas é adolescente.

O levantamento inédito das duas instituições traçam um panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes do país, com base nos boletins de ocorrência de 27 Estados. Em todo o Braisl, a média é de 7 mil óbitos por anos.  Além disso, de 2017 a 2020, 180 mil sofreram violência sexual – uma média de 45 mil por ano.

Luís Henrique, de 17 anos, também foi vítima da violência em 2021. Crédito: Divulgação.

Luís Henrique, de 17 anos, também foi vítima da violência em 2021. Crédito: Divulgação.

violência letal, nos estados com dados disponíveis para a série histórica, teve um pico entre 2016 e 2017, e vem caindo, voltando aos patamares dos anos anteriores, em razão da pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, o número de crianças de até 4 anos vítimas de violência letal aumenta, outro reflexo da crise sanitária, o que traz um sinal de alerta.

“A violência contra a criança acontece, principalmente, em casa. A violência contra adolescentes acontece na rua, com foco em meninos negros. Embora sejam fenômenos complementares e simultâneos, é crucial entendê-los também em suas diferenças, para desenhar políticas públicas efetivas de prevenção e resposta às violências”, afirma Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.

A violência contra crianças e adolescentes é um problema grave, que precisa ser cada vez mais discutido por nossa sociedade, afirma  Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “São vítimas dentro de suas próprias casas enquanto são pequenas e sofrem com a violência nas ruas quando chegam à pré-adolescência. O Poder Público precisa encarar a questão com seriedade e evitar que mais vidas sejam perdidas a cada ano”, considera.

Os dados desse Panorama foram obtidos pelo FBSP, por meio da Lei de Acesso à Informação. Foram solicitados a cada estado brasileiro os dados de boletins de ocorrência dos últimos cinco anos, referentes a mortes violentas intencionais (homicídio doloso; feminicídio; latrocínio; lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial) e violência sexual (estupros e estupros de vulneráveis) contra crianças e adolescentes.

A análise é inédita porque os dados foram compilados e organizados.

Por Meio Norte

 

 

 

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