Procon fiscaliza postos de combustíveis e autua por preço abusivo em Teresina

Pelo menos 30 postos estão sendo fiscalizados pelas equipes do órgãos de proteção do consumidor. Até o momento, dez postos foram autuados.

O Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) fiscaliza, na manhã desta sexta-feira (25), postos de combustíveis em Teresina, após o novo aumento de preços. A previsão é que aproximadamente 30 estabelecimentos sejam avaliados. Até o momento, dez postos foram autuados. O Ministério Público do Piauí (MP-PI) também acompanha a ação.

Ao g1, o chefe de fiscalização do Procon, Arimateia Arêa Leão, destacou que a elevação repentina de preços é injustificável e pode gerar multa de até R$ 10 milhões. Os estabelecimentos têm até 15 dias para responder às autuações.

“A justificativa da maioria é de que eles estavam trabalhando em vermelho. É surpreendente, todos os postos já fiscalizados foram autuados. Tivemos a preocupação de avaliar a média da tabela de preços antes e estamos avaliando agora a prática de vantagem sobre o consumidor“, informou.

Segundo Arimateia, alguns postos chegaram a aumentar o preço em até R$ 1 real do início da manhã ao fim da tarde. A porcentagem da elevação varia de 12 a 20%.

Procon fiscaliza postos de combustíveis em Teresina após aumento repentino de preços — Foto: Ilanna Serena/g1

Procon fiscaliza postos de combustíveis em Teresina após aumento repentino de preços — Foto: Ilanna Serena/g1

A fiscalização deve acontecer durante toda esta sexta (25), e duas equipes trabalham em todas as regiões da cidade.

“A gente exige dos postos uma justificativa. Não existe essa informação de crise na Ucrânia ou guerra. É um efeito manada e agora todos aumentaram. [Isso] É considerada uma prática abusiva”, completou o chefe de fiscalização do Procon.

Em um dos postos, durante a fiscalização, o motorista Esdras Michael Silva destacou o impacto do aumento dos preços no bolso do consumidor.

“É difícil, a gente tem que controlar mais os gastos, calcular as distâncias pra saber se vai compensar tal percurso, pra saber se vale a pena ir ou não, dirigindo ou não”, comentou o rapaz.

Motorista avalia impacto do aumento do preço da gasolina para o consumidor em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

Motorista avalia impacto do aumento do preço da gasolina para o consumidor em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

Aumento repentino

Os teresinenses foram surpreendidos com um novo aumento do preço da gasolina nesta quinta-feira (24). Desta vez, a Petrobras não anunciou reajuste no valor do combustível, mas os donos de postos justificaram a instabilidade no mercado do petróleo devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, que começou durante a madrugada.

g1 percorreu alguns postos de combustíveis. O litro da gasolina que custava em média R$ 6,59 nesta quarta-feira (23) subiu para R$ 7,29.

O presidente do Sindicato dos donos de Postos de Combustíveis do Piauí (Sindipostos), o empresário Alexandre Valença, negou que o último aumento no preço dos combustíveis tenha relação com a Guerra na Ucrânia. Na quinta-feira (24), condutores foram surpreendidos com o litro da gasolina custando acima de R$ 7,35 e alguns donos de postos disseram ao g1 que a invasão russa teria feito o preço subir.

Nesta sexta-feira (25), o presidente do Sindipostos afirmou que o reajuste aconteceu, na verdade, devido a oscilações no valor do dólar que ocorreram nos últimos meses, e que os postos do Piauí dependem mais do combustível importado do que do que é produzido pela Petrobras.

Contudo, o presidente do Sindipostos reconheceu que a invasão russa à Ucrânia deve sim fazer com que o preço dos combustíveis suba ainda mais no Piauí, nos próximos dais.

Economista explica a inflação

Para o economista Fernando Galvão, o reajuste da gasolina pode ter sido reflexo da invasão da Rússia na Ucrânia, que gerou uma instabilidade grande no mercado de combustíveis. O resultado disso foi uma alta no preço do barril de petróleo, que chegou a 100 dólares.

“Isso é explicado é uma questão mercadológica, onde eu tenho poucos grandes comerciantes que vendem para uma enorme cadeia de consumidores. Na economia chamamos de ‘Comportamento Oportunista’, que acontecem em relações de mercado e que precisam de supervisão pública para evitar que uma grande maioria tenha prejuízo”, explicou.

Por G1 PI

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