Queiroga diz não ter pressa para desobrigar o uso de máscaras no Brasil

Ministro da Saúde disse que se baseará na ciência para flexibilizar o uso de máscara em pessoas vacinadas, como pediu o presidente Jair Bolsonaro

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse, nesta segunda-feira (5/7), que “não há pressa” em desobrigar o uso de máscaras por pessoas já vacinadas contra a COVID-19. De acordo com o ministro, o parecer requerido pelo presidente Jair Bolsonaro em junho sobre a possibilidade de liberação do uso da proteção ainda está em elaboração. “Isso tem que ser feito com base na ciência”, afirmou Queiroga.

“Primeiro, é necessário fazer um estudo científico. Depois que vem o estudo, o parecer é emitido. Não há pressa para se fazer isso. Isso tem que ser feito com base na ciência, o que temos defendido de forma reiterada. O Departamento de Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos está trabalhando com essa solicitação que foi feita pelo presidente da República”, disse.

A declaração foi feita enquanto o ministro visitava o Hospital Regional do Guará, onde vacinou autoridades como o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes; o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), André Mendonça; e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira.

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que o estudo existe e que será revisado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“O Ministério da Saúde esclarece que realiza um estudo para avaliar a flexibilização do uso de máscara com o avanço da vacinação no Brasil assim como já ocorre em outros países. Está em execução a revisão sistemática pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)”, afirma.

Prevenção

Desde o início da pandemia de COVID-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem recomendando o uso de máscaras como forma de prevenção contra a doença.

Em junho, mais uma vez a organização alertou sobre a importância do uso mesmo por pessoas imunizadas. “Sei que há uma controvérsia recente no Brasil sobre o uso consistente de máscaras. Continua sendo uma orientação da OMS o uso de máscaras onde não há possibilidade de distanciamento”, disse a diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde, Mariângela Simão.O médico infectologista André Bon explica que, mesmo aqueles já vacinados contra o vírus, ainda correm o risco se contaminar e de transmitir a doença.

“Mesmo com uma parcela da população vacinada, ainda existe o risco de os vacinados serem portadores assintomáticos, o que faz com que eles ainda apresentem risco de transmissão. Além disso, os não vacinados também, obviamente, são capazes de adoecer e de transmitir. Por isso, é fundamental manter a utilização de máscaras”, afirma.

Na avaliação de Bon, o Brasil ainda precisa avançar consideravelmente com o Plano Nacional de Imunização (PNI) para começar a considerar a liberação das medidas de proteção pessoal.

“Só poderemos considerar desobrigar as máscaras a partir do momento que tivermos uma cobertura vacinal bastante razoável, o que a gente considera ser em torno de 70%”, pontua.

De acordo com dados do consórcio de imprensa , no domingo (4/7), o país atingiu a marca de 27 milhões de pessoas com o esquema vacinal contra o novo coronavírus completo, o que representa apenas 12,79% da população.

O especialista ainda alerta sobre as novas variantes, que tornam o processo de imunização mais demorado. “Com a variante Delta, existe uma estimativa de que cada pessoa infectada possa transmitir para 5 a 8 pessoas, o que faz com que, provavelmente, precisemos de uma cobertura vacinal bem maior para levar a redução da população”, comenta.

Por Correio Braziliense

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