Trader suspeito de golpe de mais de R$ 600 mi se entrega à polícia em Teresina
O trader Francisco das Chagas Chaves, conhecido como Chico, se entregou na sede do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) na manhã desta quarta-feira (22), em Teresina.
A reportagem apurou que o investigado se apresentou acompanhado de um advogado e foi encaminhado à Central de Inquéritos, na zona Leste da capital. Chico estava foragido no Paraguai e chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol após ter a prisão decretada pelo Poder Judiciário.
De acordo com o delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação, a apresentação do investigado ocorreu após a ampla repercussão do caso na imprensa paraguaia.
“Ele entrou em contato conosco por meio dos seus advogados, informou que queria que fosse dado cumprimento ao mandado de prisão e também se prontificou a prestar esclarecimentos. Na semana passada, o caso foi divulgado em meios de comunicação do Paraguai, teve bastante repercussão e, em seguida, ele resolveu se apresentar por meio dos advogados”, explicou.
Francisco das Chagas é apontado como um dos líderes de um esquema de pirâmide financeira que, de acordo com a Polícia Civil, teria movimentado mais de R$ 600 milhões e causado prejuízos a mais de 300 vítimas nos estados do Piauí e do Maranhão.
Movimentação supera R$ 600 milhões, diz polícia
Durante entrevista, Luciano Alcântara afirmou que o avanço das investigações levou à atualização do valor movimentado pelo investigado.
“Os valores subiram para mais de R$ 600 milhões de movimentação entre as contas do Francisco e da Xtreme. De 2023 até 2025, circulou entre as contas do Francisco e da empresa mais de R$ 600 milhões. Deixando claro que o Francisco era o sócio-administrador da empresa Xtreme”, destacou.
De acordo com as investigações, a empresa representada por Francisco das Chagas realizava operações de valores mobiliários na Bolsa de Valores do Brasil utilizando o capital das vítimas e prometia rendimentos de até 10% ao mês sobre o valor investido.
Ainda segundo a Polícia Civil, em 2025 a empresa deixou de pagar os rendimentos prometidos e o representante desapareceu, provocando prejuízos milionários aos investidores.
O delegado afirmou que questionou Francisco sobre o motivo de não ter informado aos clientes a situação financeira da empresa.
“Eu perguntei por que ele não informou as vítimas sobre a real situação da empresa naquele momento, e ele falou que tinha receio pela sua integridade física e, por isso, não revelou o que teria acontecido em relação aos valores”, destacou.
De acordo com Luciano Alcântara, algumas vítimas chegaram a investir até R$ 1 milhão acreditando na promessa de retorno financeiro. A investigação estima que o esquema tenha feito mais de 300 vítimas no Piauí e no Maranhão.
Namorada segue foragida
O delegado informou ainda que a namorada de Francisco das Chagas, Kayra Cardoso, também investigada no caso, permanece foragida e continua com mandado de prisão em aberto.
“Com a apresentação do Francisco, resta pendente apenas um mandado de prisão relacionado à Kayra. Ela não se entregou e continua sendo considerada foragida. O mandado dela está difundido em aproximadamente 196 países por meio da Interpol. Ela continua com as contas bloqueadas. Para finalizar essa etapa da investigação, no que diz respeito ao cumprimento dos mandados, resta apenas o dela”, afirmou.
Segundo Luciano Alcântara, o inquérito está na fase final e deve ser concluído nas próximas semanas.
“A investigação está em fase de conclusão. Temos que finalizar esse inquérito e acredito que ele seja concluído em breve, talvez ainda este mês. Vamos delimitar para onde foi o dinheiro. Uma coisa é a versão apresentada por ele; outra é a demonstração que faremos da circulação e do fluxo desses recursos”, concluiu.
Por Rebeca Lima e Mikaela Ramos/Cidade Verde
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