“Américas precisam de protocolo único de vacinação”, diz ministro do Turismo, Gilson Machado

Entre as áreas mais afetadas pela pandemia no Brasil, o setor do turismo desafia as autoridades públicas a buscarem soluções que não agravem a crise sanitária e preparem o país para o pós-Covid. A informação é do Metrópoles. 

Uma das barreiras previstas virou tema de discussão intercontinental. A não aceitação de turistas vacinados com determinados imunizantes pode atrasar o processo de recuperação do turismo. Nos Estados Unidos, por exemplo, as vacinas CoronaVac e AstraZeneca, as mais aplicadas na população brasileira, ainda não foram validadas pela agência de vigilância sanitária.

Em entrevista ao Metrópoles, o ministro do Turismo, Gilson Machado, defendeu a adoção de um “protocolo único de vacinação” entre os países das américas do Norte, Central e do Sul. “É preciso um consenso. Não adianta a gente vacinar com uma vacina aqui, e os Estados Unidos não aceitarem. Ou, os Estados Unidos vacinarem, e a gente não aceitar. O ideal é que se crie o protocolo para que se restabeleçam as atividades aéreas”, disse (confira a partir de 23′).

O assunto faz parte da pauta de evento promovido pela Organização Mundial do Turismo (UNWTO) em Punta Cana. Gilson Machado viajou para a República Dominicana, onde participa do encontro. “A gente tem que lutar, em conjunto, por menos burocracia, desde que não se perca a segurança, para tornar o fluxo aéreo constante e mais fácil entre os países”, afirmou.

Machado pontuou que o governo federal está trabalhando para mudar a imagem do Brasil no exterior. “Nosso ministro [do Meio Ambiente] Ricardo Salles está, sim, fazendo um trabalho exemplar. O nosso governo está fiscalizando [o desmatamento ambiental]. Está cuidando do controle ambiental urbano, que esse é o problema: lixo nas cidades, lixo no oceano. Estamos sendo intolerantes com as línguas pretas no mar, com o esgoto a céu aberto em praias. No Brasil, 80% da população vive a uma distância de 200 km do litoral”, afirmou (22’30).

Gilson Machado apontou mudança de comportamento imposta pela pandemia. “O brasileiro que viajava para o exterior foi forçado, por uma questão sanitária, a conhecer o Brasil”, disse (1’50”). Segundo o ministro, muitos dos milhões de brasileiros que gastavam dinheiro no exterior passaram a investir no turismo nacional.

“Nós tivemos 11 milhões de brasileiros que deixavam $ 19 bilhões no exterior gastando esse dinheiro aqui dentro. Já havia uma recuperação de parte do setor” (2′), afirmou Machado.

No país que contabiliza 420 mil mortes por Covid e vacinou 16% de sua população com, pelo menos, uma dose de imunizante, o ministro do Turismo defendeu a adoção de medidas sanitárias, mas criticou o isolamento social. Gilson Machado é um dos nomes alçados ao primeiro escalão mais alinhado com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

“Eu sou contra o lockdown desde que você utilize os protocolos de segurança, o distanciamento necessário” (8′). O ministro lembrou, no entanto, que cada atividade tem um tipo de protocolo diferente: “O setor de eventos, por exemplo, até agora não foi liberado. Não tem como fazer um show sem ter uma aglomeração, infelizmente” (11′).

Segundo Machado, o turismo no Brasil destacou-se na América Latina durante o intervalo entre as ondas de Covid. “O Brasil vinha tendo a maior recuperação do turismo. Em dezembro, nós já estávamos com 85% da nossa malha aérea doméstica recuperada. Nenhum país teve a velocidade superlativa que o Brasil teve. Infelizmente, tivemos uma segunda onda, o segundo repique da Covid-19. Isso afetou não só o Brasil, mas o mundo todo”, frisou. A concentração de pessoas em pontos turísticos, como praias lotadas, sempre foi apontada como um motivo de grande preocupação para os sanitaristas.

Dono de uma pousada em São Miguel dos Milagres, no litoral alagoano, Machado também falou dos impactos da crise sanitária como empresário. “Dentro do Brasil, há diferentes realidades. Temos mais de 40 mil hotéis, dos hotéis verticais – com 600 apartamentos -, até pequenas pousadas, como a minha, que só tem 13 apartamentos. Na minha pousada, a gente teve perda de cerca de 30%, comparado ao ano pré-pandemia. Em Brasília, a perda foi maior que 70%. Turismo de negócio, em São Paulo, registrou perda altíssima”, comparou (14′).

Apesar das severas críticas que o Brasil recebe sobre a condução de suas políticas ambientais, o ministro do Turismo defendeu enfaticamente a atuação do governo no setor.

Machado revelou durante a entrevista que três empresas negociam a operação contínua de cruzeiros no litoral brasileiro. “Vários empresários estão procurando navios para comprar e ficar perenizados no Nordeste, onde farão o roteiro Maceió-Recife-Porto de Galinhas-Fernando de Noronha-Maragogi”, informou o ministro (26′). O início das atividades, no entanto, só será autorizado no pós-pandemia.

 

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